21.1.10

"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios-tons da consciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas.

Não sei se estes sentimentos são uma loucura lenta do desconsolo, se são reminiscências de qualquer outro mundo em que houvéssemos estado - reminiscências cruzadas e misturadas, como coisas vistas em sonhos, absurdas na figura que vemos mas não na origem se a soubéssemos. Não sei se houve outros seres que fomos, cuja maior completidão sentimos hoje, na sombra que deles somos, de uma maneira incompleta - perdida a solidez e nós figurando-no-la mal nas só duas dimensões da sombra que vivemos.

Sei que estes pensamentos da emoção doem com raiva na alma. A impossibilidade de nos figurar uma coisa a que correspondam, a impossibilidade de encontrar qualquer coisa que substitua aquela a que se abraçam em visão - tudo isto pesa como uma condenação dada não se sabe onde, ou por quem, ou porquê.

Mas o que fica de sentir tudo isto é com certeza um desgosto da vida e de todos os seus gestos, um cansaço antecipado dos desejos e de todos os seus modos, um desgosto anónimo de todos os sentimentos. Nestas horas de mágoa subtil, torna-se-nos impossível, até em sonho, ser amante, ser herói, ser feliz. Tudo isso está vazio até na ideia do que é. Tudo isso está dito em outra linguagem, para nós incompreensível, meros sons de sílabas sem forma no entendimento. A vida é oca, a alma é oca, o mundo é oco. Todos os deuses morrem de uma morte maior que a morte. Tudo está mais vazio que o vácuo. É tudo um caos de coisas nenhumas.

Se penso isto e olho, para ver se a realidade me mata a sede, vejo casas inexpressivas, caras inexpressivas, gestos inexpressivos. Pedras, corpos, ideias - está tudo morto. Todos os movimentos são paragens, a mesma paragem todos eles. Nada me diz nada. Nada me é conhecido, não porque o estranhe mas porque não sei o que é. Perdeu-se o mundo. E no fundo da minha alma - como única realidade deste momento - há uma mágoa intensa e invisível, uma tristeza como o som de quem chora num quarto escuro."

Bernardo Soares - Livro do Desassossego

7.1.10

Sexto Sentido

..Eu toco, eu fujo, eu volto, eu passo
Giro nos meus seis sentidos
Eu desço à terra e subo ao espaço
Agarrada aos seis sentidos..

6.1.10

«Somos o avesso um do outro. Quando duvidas, paras, e eu sigo em frente. Quando tens medo, eu tenho vontade; quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade, quando te entristeces, fechas-te numa concha e eu choro para o mundo; quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho; quando alguém te empurra, tu foges e eu deixo-me ir.
Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar. Como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que tu te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz.»
Margarida Rebelo Pinto

31.12.09

Em modo repeat ... Até não poder mais!

«Stay with me... Let's just breathe...»

27.12.09

«Com o teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar...»


22.12.09


«Quando penso nas voltas que a vida dá e como as coisas mudam de caminho sem que para tal façamos nada, não consigo evitar pensar que às vezes nem vale a pena desejar. Que não vale a pena ter sonhos, que não vale a pena fazer planos, que não vale nem sequer a pena pensar. Quando as coisas mudam repentinamente e quando achamos que não as podemos controlar, aí sim percebemos o quão pequeninos somos e como a nossa existência é insignificante.
Todas as pessoas têm sonhos, mas os verdadeiros heróis são os que perseguem os seus sonhos até ao limite, que dão tudo por tudo, que se sacrificam, que não desistem.»

Espero por ti em Paris ~ Diana Mendonça e David Marle

10.12.09

Strings

«Do you want to know our secret, how we leap? Then come with me! Now look up. Can you see where you end?
No. Can you?
I end where you begin, and where you end, I begin. In that way we are all connected.
Connected?
Look!
What?
We are guiding each other. When you learn to be guided by Love, then you can use its strength, with dwells in all life not just your own. Then you can do as we do, move like the wind.
Now, you try!»

9.12.09

Dou um mergulho no mar!

Dou um mergulho no mar...
Molho um pé de cada vez, sinto a água gelar-me até aos ossos. É quase Inverno.
Dou mais três passos. Deixo o passado para trás. Enterro-o na areia.
Fixo os olhos no horizonte. Começo a deixar de sentir a ponta dos dedos.
A água molha-me até aos joelhos.
Não hesito. Vou mergulhar.
Dou um mergulho no mar...
Está frio, está vento...
Liberdade! «Liberdade p'ra dentro da cabeça!»
Os meus pensamentos giram.
Tenho areia nos sapatos!
Dou um mergulho no mar...
É agora!
Não vou olhar mais para trás.
Corro contra as ondas... A maré está baixa...
Continuo a correr.
Dou um mergulho no mar...
Sinto os cabelos salgados.
A roupa cola-se ao corpo e fica pesada.
Aquece-me!
Quase já não há luz. Os dias são curtos e anoitece cedo.
Dou outro mergulho no mar. O primeiro não foi suficiente.
Mantenho a cabeça debaixo de água durante instantes...
Deixo os pensamentos flutuarem nas ondas. Deixo as ondas levarem-me os pensamentos.
Sorrio... É inevitável!
Sinto um arrepio percorrer o meu corpo...
Liberdade...
As borboletas!
Dou um mergulho no mar...
Estamos em Dezembro e não há sol.
Sinto-me tão bem assim!

7.12.09

«Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.»

5.12.09

«The smile on your face
Lets me know that you need me
There's a truth in your eyes
Saying you'll never leave me
The touch of your hand
Says you'll catch me wherever I fall
You say it best when you say nothing at all»

~Saudades desta música!!!

3.12.09

«Ecos de risos, sinfonias de gritos...
Hoje preciso de mim!»

1.12.09

«Somos nós, com os nossos passos, que vamos fazendo o nosso próprio caminho. Há quem corra demasiado depressa e perca a alma no trajecto, há quem mude de ideias e arrisque um atalho, há quem não saiba escolher a melhor direcção quando chega a uma encruzilhada, há quem deixe pedras pelo caminho para não se perder, se precisar de voltar para trás.
Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Nem sei para onde vais. Nem tu sabes. Pode ser que um dia acordes com uma luz nova, uma força desconhecida que te vai trazer até mim… Sei que há uma força estranha que me faz correr para ti, embora nunca, em nenhuma circunstância, corra atrás de ti, porque não posso, não me é permitido interferir no teu destino e mudar o curso da tua vida. Isso, terás que ser tu a fazê-lo, por ti e para ti, se assim o entenderes. Será que sentes a mesma força?»

~Margarida Rebelo Pinto

26.11.09

Gosto...

Gosto de dias assim, em que a chuva se entranha na pele e o vento invade a raiz dos meus cabelos. Faz-me vacilar como se não houvesse amanhã, faz-me tremer como se hoje fosse o fim.
Gosto de dias assim, quando o sol de inverno espreita pela janela, raia o dia dentro de mim, aquece-me as veias, faz fervilhar a saliva que suga os reflexos que surgem do charco que não secou.
Gosto do olhar compassivo, do lento cerrar dos lábios, das palavras incertas que te saem da boca, como o andar acelerado que te consome, do acenar de até já, da mão que me envolve a face, dos dedos que me agarram e me repelem como quem troca os pólos de um íman.
Tropeço... Os passos trocados. Balanço...
Sorrio!
As lágrimas molham-me o canto dos olhos.
Sinto-me invadida por uma euforia que me deixa impaciente..
Dou três saltos, solto uma gargalhada!
Gosto de dias assim, em que a incerteza choca de frente com a vontade de subir mais um degrau da escada e nem com o brilho da lua descubro quem vence a batalha.
Contra o que penso, na dúvida deixo-me estar.
Apago a luz, fecho os olhos e deixo-me envolver pelos pontos brilhantes que cobrem o meu céu.